quinta-feira, 3 de julho de 2014

Esperança em tom maior

Descobrir novos cantores como Cícero me dá uma esperança danada de que o mundo não acabará em funk



quarta-feira, 2 de julho de 2014

Pensa(r)ação do dia

Pensação do dia


I
Sempre que tento viver em equilíbrio eu me perco. Nasci mesmo para viver em corda bamba.

II
Nenhuma nova cor de cabelo vai mostrar o mosaico bonito que construo com meus cacos.




terça-feira, 17 de junho de 2014

Ensaio sobre ela





E quase todos os dias são assim, entre uma noite e outra, na dimensão exata do dia, ela se tranca no quarto para tentar ser. E como se é?  Como se faz para ser sendo? Nascer para dentro dói mais que explodir para a imensidão da vida aqui fora. Dói rever sonhos que foram abortados ou que cresceram sem estímulo algum para se tornar real.

Enquanto toca a música de Cícero no computador, ela tenta ser. Difícil tarefa estar naquele invólucro. Por baixo da derme e epiderme, os vasos sanguíneos sentem falta de flores. Enquanto o despertador toca, ela sente necessidade de cantar bem alto para abafar o silêncio que insiste em crescer dentro dela.

Ela não anda na corda bamba da angústia, nem caminha nas trilhas da tristeza. Apenas descobriu que autenticidade não combina com a cor da saia que ela acaba de comprar e que tentar ser ultrapassa alguns verbos diários.

E, por isso, exatamente, no quarto ela tenta ser.

E quase todos os dias são assim, entre uma noite e outra, na dimensão exata da sua lucidez ela se tranca no quarto para tentar ser. E como se é? Viver dói tanto pra dentro quando para fora. Mas, ela segue a atitude de tentar ser e tem certeza que dor não combina com amargura. 

Tentar ser é esperança sempre. 

E, por isso, quase todos os dias, entre um dia e uma noite, entre um sonho e uma realização, entre o amor e o trabalho, entre passos largos, entre poemas, entre sorrisos e alegrias, ela é. 


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

VINICIANDO DESDE 1992



1992
A moça de olhos grandes e lábios finos sintonizava em seu novo aparelho de som uma rádio qualquer. Entre um chiado e uma música estrangeira, eis que uma melodia tomou conta do quarto e da alma da moça. Voz rouca, melodia doce, vontade insuportável de ficar horas e horas escutando aquele homem cantar. " Se você quer ser minha namorada/ ah, que linda namorada/ você poderia ser". Quem é ele? - perguntou. Vinícius - disse o pai da moça. Vinícius de Moraes.


2013
A moça de olhos grandes e coração aberto percorre a vida no duro aprendizado de ser mulher. Mas desde aquele dia, em seu quarto, nunca mais deixou de "viniciar" pelo amplo território que chamamos de vida!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Os encantos de Tiradentes ( Homenagem a Breno, Ana Flávia e Tiago)

No 16º Festival de Cinema de Tiradentes passei boas 48 horas junto de amigos na cidade histórica! Fiquei observando depois as fotos que foram registradas sob o olhar de quem observa as coisas com sensibilidade. São paisagens que carregam uma história, mas que também são leves, bem diferentes daquela que presenciamos quase sempre na vida ordinária. A cidadezinha mais parece um retrato antigo guardado no álbum de família! Charretes, igrejas que guardam memória, crendices e mortos de uma história recente. Ladeiras íngremes que fazem suar o corpo sem o auxílio frequente do automóvel! As lojas sempre com cheiro de madeira, de pimenta, de doce de casa de vó. Tiradentes tem uma fé absurda!Até um ateu consegue rezar um pai nosso quando vê ao longe a serra, a cachoeira e todas as belezas que provam a existência de Deus! A gente se sente dentro dos poemas de Adélia Prado que falam de Deus sem dogmatismo, mas com um amor grande por Ele sem sequer dizer! Tiradentes é onde aprendemos a ter mais orgulho ainda de ser mineiro! O sotaque cantado, o uai e o "trem" nosso de cada dia é a coisa mais deliciosa que se tem para ouvir! E a culinária? Até os homens mais modernos se sentem modestos depois de um pão de queijo ou de uma rica e gostosa galinha caipira com quiabo! Nestes dias, sob a chuva, a lua cheia e as mais belas companhias em Tiradentes, eu percebi que para ser feliz é preciso de muito pouco e que viver é dádiva sempre!

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

E por falar em amor...

Dia desses enquanto caminhava ouvia duas amigas à minha frente comentando sobre seus casos de amor. Não que eu estivesse desejando ouvir, muito pelo contrário, quando caminho eu desejo minha companhia e meus devaneios. Mas pela distância, acabei ouvindo algumas percepções que ambas possuem da palavra amor. Uma delas questionou a demora do companheiro em dizer eu te amo. Indignada com a demora do moço narrou a história de vários casais que em pouco tempo dividiam a mesma frase entre um beijo e um afago, entre um filme e pipoca, entre um volante e a troca da música no som do carro. Em linha reta e reflexões curvas, fiquei pensando quantas vezes usei esta frase. Se eu falei, valha-me Deus pensar quantas vezes também escutei um “eu te amo” sem reflexão alguma! Mas lembrei-me dos namorados que tive e da lembrança deste tão esperado momento quando se é mais jovem. Nos passos largos e ágeis lembrei-me de muitas demonstrações que tive de amor. Genuínas e gratuitas como se deve ser. Um namorado fazia cartas de amor com frases e textos de poetas para me oferecer semanalmente, outro me entregou um CD com as músicas que ele amava como forma de doar um pouco de si para mim. Lembro-me de um namorado que escrevia um diário sobre nossa estória e fazia um registro de todas as minhas fotos de festivais de ballet. E, por fim, no calor da caminhada, lembrei-me de um que criava músicas no piano e intitulava-as todas de Gaxa, que era a forma que ele carinhosamente me chamava. Nem sempre ouvia a frase esperada! Aquela que é criada de apenas três palavras e que as mulheres esperam como se tem fome e sede.
Não se pode esperar e apressar demonstrações de amor! Na correria da vida contemporânea perdemos as cartas de amor que recebemos diariamente dos nossos companheiros. Em vida pós-moderna, o amor deve ser lento, sem pressa e com coragem suficiente para se perder em atalhos, curvar em nossas estradas, sem pressa alguma de nascer e crescer. De velocidade andamos fartos. Basta a tecnologia e todas as informações escancaradas em jornais que nos apressam a viver, crescer e morrer. Para amar é preciso dar passos lentos. Em vida pós-moderna, o amor deve ter tempo... Pensei em andar mais apressadamente e compartilhar desta reflexão que fiz. Mas achei melhor seguir em frente. Afinal, cada um tem o seu tempo na estrada chamada vida e em questão de amor é preciso andar lentamente observando a estrada. Coisa que, aos trinta anos já somos capazes de fazer!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O Salto Triunfal de 2012

Então chegou dezembro... Luzinhas de Natal; promoções; lista de presentes; árvores natalinas com variados enfeites e no meio de tudo isto um entrelaçamento de sentimentos dentro da gente que nem conseguimos muito bem definir! Muitas pernas correndo para tudo que é lado, para ver se dá tempo de finalizar as tarefas no trabalho, de reconciliar com a irmã, de comprar em deliciosas prestações os presentes dos filhos, de participar do amigo oculto da empresa, de pensar na ceia de Natal, de, de, de, de... E no meio de tanta coisa pra se fazer antes do dia 31 de dezembro, a frase mais falada no meio de tantas bocas na multidão - “Como o tempo tá passando! Este ano passou e eu nem o vi”! Fico pensando se esta frase virou mais clichê barato ou se, de fato, ninguém mais é atravessado pelos acasos da vida que nos atropela em doze parcelas ao longo do ano. Eu não somente vi o ano passar como mergulhei dentre dele. Atirei-me nele como aqueles saltos que fazíamos quando criança para cair na piscina de forma triunfal. Saltei rodopiando e imaginando se o fundo era de fato fundo! Encharquei-me de emoções tristes e alegres, de dúvidas e de descobertas. Mergulhei! Assumi uma casa com poucos móveis e muitos sonhos dentro dela. Tornei-me desdobrável como diz a escritora, nossa Adélia Prado. Percebi-me desdobrável na imensidão de devires em um único dia – devir mãe, devir professora, devir filha, devir mulher e devir o que há porvir! Descobri na banalidade tanta beleza que alguns dias os meus olhos ficavam irritados devido a grandeza nas coisas simples como virar a chave na fechadura e ver do lado de dentro um lar que é meu; tomar uma taça de vinho enquanto escuto“Eu sei que vou te amar” de Vinícius de Moraes; ficar frente a frente com a pintura de Caravaggio e doer o peito de estar diante de uma obra de arte; conhecer pessoas que nem sabia que existiam e que são tão interessantes que resolvi carregá-las dentro de mim desde os encontros! Janeiro, Fevereiro, Março e Abril... Na ciranda dos meses fui me fazendo, me criando, me revelando, me sendo com o amontoado de todos os sentimentos que surgiam! Setembro, outubro, novembro e dezembro... Até acreditei que o amor pudesse acontecer nos acasos que nos atropelam sem pedir muita permissão para acontecer! Se muita gente não viu o ano passar é uma pena. Eu não somente o vi como aceitei o convite de pular pra dentro dele. Fiz um belo salto, mergulhei e coloquei a mão lá no fundo, como naquelas brincadeiras de criança na piscina com os amigos quando se disputava quem conseguia chegar até o fundo mais rápido! Vivi cada instante e descobri que a vida é funda, profunda, mas que o bonito dela é fazer o nado e voltar para superfície com a certeza de que foi até onde conseguia ir, sem se sabotar! Então chegou dezembro! E que venha 2013 com a expectativa de um novo salto, mais alto, mais bonito e mais profundo!