sábado, 12 de março de 2011

Saudade de amar


Saudade de um amor dentro de mim... saudade de ter um amor que tenha nome, idade, profissão e sonhos. Um amor que tenha defeitos suficientes para não suportá-los e por isto mesmo ter o compromisso de aceitá-lo exatamente como é, e não como eu gostaria que fosse. Saudade de sentir um cheiro de homem pelo quarto misturado com a lavanda dos lençóis limpos para uma noite a dois.Ter sempre uma companhia, mesmo que a solidão ainda esteja presente. Saudade de ser fêmea.
Saudade de um amor do meu lado. Saudade de tocar as mãos e caminhar pelas ruas falando sobre o preço da carne, o sapato novo lindíssimo que vi na loja ou pedir uma opinião se entro na aula de italiano ou de esperanto.
Saudade de um amor à minha frente... que me oriente os caminhos que ainda temo andar! Saudade de um amor que entre na frente quando chego tarde da noite para ver se tem barata no quarto. Saudade de uma mão que estenda quando a "chuva chove" na gente e o sapato de salto se torna um desafio e não mais um fetiche para nós dois! Saudade de um amor que esteja à frente de mim em alguma coisa: na cultura, nos sonhos realizados, nos filhos gerados, nas profissões vivenciadas, nas músicas escutadas e nos filmes vistos.
Saudade de um amor atrás de mim que me apoie caso eu caia. Saudade de um amor que me olhe por trás e me deseje com fome de amor e sede de ternura. Saudade de um amor que alise meus cabelos no show que toca a música que é nossa e de muitos outros casais da platéia.
Saudade de amar um amor e de chamá-lo de homem, de lindo, de chato ou de um apelido qualquer.
Saudade de um amor sentido de todas as formas, mas principalmente de um amor que aconteça no meu coração.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

primeiro capítulo





Hoje desejei apenas ser... Seguir meu próprio instante sem a menor pretensão de ser gente. Queria ser mais urgente! Queria ser átomo, nêutron, molécula, para sentir a vibração de tudo aquilo que é vida no instante exato em que se é. Pensei que esta vontade fosse simples e que voltaria a dormir quando iniciasse a vida “burocrática” do trabalho. Mas, mesmo com tarefas ordinárias, mesmo com ligações de informações constantes, mesmo com vários “mesmos”, a vontade de existir crescia como mato à beira do asfalto. Sentia, após aquela música que tocou tão distraidamente, um desejo de existir! Suportei fortemente, mas a vontade explodiu como um vulcão em erupção. Jorrou palavras sedimentadas pela cultura, mas totalmente novas de sentimentos. Senti-me nobre em plena tarde de terça-feira! Existo sem predicado e sem tempo. Mas como a descoberta é nobre demais eu resolvi nesta tarde dividir no espaço virtual minha descoberta. Lancei palavras da mesma forma como somos lançados no mundo no momento em que existimos nele. E eis que você aparece! Quem é você? Surgiu diferente de todos que dividiam comigo minha descoberta. As pessoas se encantavam com a novidade, mas você, você “com-partilhou” comigo e fez estória no momento que era apenas meu, mas em questão de segundos, horas ou séculos, tornou-se nosso. Existimos a partir daquele instante em total comunhão. Formamos frases, entrelaçamos palavras que se misturavam como dois corpos enamorados e vislumbrados com a beleza de se sentir “apaixonado”. Em total gratuidade de um sentimento que não sabemos ainda dar nome, por ser novo, cheirando ainda “à leite”, criamos o primeiro capítulo de um livro que já existe.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Fazes-me falta



Recentemente volto a escrever... devaneios, sonhos, desejos que explodem após uma leitura, um filme, um sentimento.

Para retornar neste blog, após um tempo de exílio de meus sentimentos volto a escrita com a apresentação de um livro que iniciei neste final de semana : Fazes-me falta - de Ines Pedrosa. Escritora portuguesa que desconhecia até então.

É um livro que traz à tona a imensa angústia vivida pelo ser humano moderno: a solidão, o receio do envolvimento com o outro, o medo de perder antes mesmo de saber o que ganhou... São as ameaças constantes nos tempo atuais. A amizade e o amor nesta obra são vivenciados de modo frágil.Tudo é efêmero, descartável, volátil. O sentimento de ambos é sempre esta certeza de que poderiam ter tido algo que foi entupido pelo medo de demonstrar os sentimentos sem esta insegurança latente em nossos dias.

Neste emaranhado de tensões surge apenas duas vozes que se entrecruzam! O leitor fica no meio deste diálogo, compreendendo as frases de cada situação apresentada pela mulher e pelo homem. É como se o leitor se tornasse o analista desta angústia que é falta do que poderia ter vivido, não fosse o medo de se entregar ao sentimento!

Ao final da obra, quero postar aqui minha impressão da obra completa!

Mas, já adianto que vale a pena ler Fazes-me Falta, que fala das relações afetivas e da dor da perda definitiva, temas caros e necessários para todo e qualquer ser humano.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

pensamento bobinho de dia de chuva

Hoje busco as coisas mais (in)úteis para apaziguar esta mania de ver poesia e me arder por vê-las sozinhas neste mundo!

Os pássaros que cantam avisando-me que a chuva voltará; o cachorro ainda molhado andando em vão à procura de muitas pernas que andam no centro da cidade para encontrar um coração; a mãe que cuida do filho; a música que vem não sei de onde.

Busco as coisas ou elas me encontram? Mistério inútil!

O entrelaçamento entre mim e as coisas neste estado bruto me dá a certeza de que ser humano não é tarefa fácil quando as pessoas desejam apenas esquecer que são.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Poema meu!

ESte poema é foi tatuado em minha alma aos 16 anos de idade, quando declamava poemas no colégio!!! E, sinto ele tão atual em minha vida, que na falta de tempo nestes dias resolvi colocá-lo aqui!




"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Filha mãe avó e puta

Neste último final de semana devorei o livro de Gabriela Leite. Ela narra em primeira pessoa a sua decisão em se tornar prostituta e apresenta os caminhos por onde ela passou.É uma mistura de alegria por ser o que se desejou ser e de luta, afinal de contas, seja qual for a sua profissão sempre temos que matar "um leão por dia"!
O livro todo é uma delícia e uma (de)monstração de que quando se é aquilo que se projeta mudamos não somente nossas vidas mas de todos os que nos cercam. E assim é a vida de Gabriela Leite contada em páginas que se tornaram uma ontologia pura. Ontologia puta. Que ela pariu.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Labirinto

Achei lindo este aforismo
" Não há liberdade possível para quem não conseguir perdoar. O espírito rancoroso é como um pássaro que não consegue sair de uma gaiola aberta só porque não sabe que pode voar" ( François)
Esta frase me levou em locais dentro de mim que eu seguramente não entrava fazia muito tempo. Muito bom tirar a poeira de dentro da gente!